Loiro, olhos castanhos e de porte médio, era um homem ininteligível. Forte. Estado de espírito relativamente controlado, pelo menos era o que ele demonstra. Dono de um estonteante sorriso, possuía sempre uma dúzia de boas piadas na boca, pensamento rápido, ágil demais, afinal, ele lutava judô. Sabia impor ordens como ninguém. Dono de uma voz grave e aveludada ao mesmo tempo. Mesmo demonstrando possuir total controle sobre seus pensamentos, olhos, corpo e sua alma, ele carregava consigo o terrível sentimento de culpa. Era visível, pelo menos pra mim, seus olhos profundos demonstravam tamanha agunia. Por qual motivo? Como? Desde quando carregava consigo essa culpa? Isso era um mistério, jamais ousei perguntar-lhe sobre e ele nunca mencionou algo. Afinal, por que faria isso? Eu era uma vizinha qualquer. De poucas palavras. Tal sentimento machucava-o, eu sabia disso, mas ele conseguia, ou pelo menos tentava, esconder tamanha dor e esquecer-se dela pelo maior tempo possível. O tempo passava rapidamente quando eu desligava me do meu mundo e começava a observa-lo pela janela do meu quarto. Seus olhos passavam batidos pela maioria das pessoas, mas a mim eles não enganavam. Só conseguia perceber aqueles olhos tristes, aquele que possuía os mesmo. Eu, e a minha culpa, somos capazes de penetrar nos olhos das pessoas e desvendá-los. Quem sabe a dor que eu carrego, a culpa de ter destruído a vida de alguém, mesmo que indiretamente, seja em comum com a dele.
Kamila Martins Hampel
Nos teus braços eu me torno forte, coisa que eu não sei ser quando estou sozinha. O teu corpo me acolhe confortavelmente e suas mãos tocam meu rosto como um par de luvas macias. Tua respiração me conforta e o pulsar do seu coração me acalma. Seus olhos me servem de inspiração. Tomo como meu o seu coração. É o calor humano, o teu calor, que me mantem aquecida. É o teu amor, puro e singelo, que me mantem viva.
Kamila Martins Hampel
(Dedico: José Luiz Benatti)
(Source: recomenzar)
O foda é que as pessoas vivem um profundo e eterno primeiro de abril. Mentem tanto que nem percebem, virou rotina essa história de inventar coisas tempo todo.
É incrivel como você me deixou assim, pedindo a Deus pra que isso nunca tenha fim.
(Source: getup-standup)